Crianças, idosos e pessoas com deficiência: reconhecimento facial para todo mundo
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Por Henrique Weiand, fundador da abriu
Um sistema de acesso é julgado pelas pessoas para quem ele funciona pior. Se a criança não alcança o terminal, se o cadeirante não é enquadrado pela câmera ou se o idoso não consegue entrar sem ajuda, a portaria falhou, por mais moderna que seja. A boa notícia é que a maior parte desses problemas se resolve no projeto, e não no dia a dia.
A altura e o ângulo do terminal
A decisão mais importante é onde o terminal fica. A maioria dos aparelhos tem um ângulo de leitura que cobre uma faixa de altura, e a instalação precisa considerar quem passa por ali: adultos em pé, crianças, pessoas em cadeira de rodas. Uma altura intermediária, com o terminal levemente inclinado, costuma atender a todos; a altura dos olhos de um adulto alto não atende.
Quando a faixa de altura é muito grande, como em uma entrada de garagem onde também passam pedestres, a solução pode ser um segundo terminal mais baixo ou um método alternativo, como cartão ou senha, para quem a câmera não enquadra bem.
Crianças: o rosto muda
O rosto de uma criança muda mais rápido do que o de um adulto, e um cadastro feito aos seis anos pode falhar aos oito. Isso não impede o uso, mas pede uma rotina: refazer a foto a cada um ou dois anos, ou quando o terminal começar a negar. Vale também decidir, com os pais, a partir de que idade a criança entra sozinha, e dar às menores o acesso junto com um responsável.
Para crianças que ainda não entram sozinhas, não há necessidade de cadastro. O acesso é do adulto que as acompanha.
Idosos: menos passos, mais alternativas
Para muitos idosos, o reconhecimento facial é mais fácil que qualquer outro método: não há cartão para carregar, senha para lembrar ou aplicativo para abrir. O cuidado está no cadastro, que deve ser feito com calma e, de preferência, no próprio condomínio, com alguém ajudando a posicionar a foto.
Também é importante manter um método reserva. Um cartão ou uma senha simples, no mesmo cadastro, resolve o dia em que o terminal não reconhece por causa de um curativo, de óculos novos ou de pouca luz. O morador não deve precisar do celular para entrar na própria casa.
Pessoas com deficiência
Cada situação pede uma solução, mas algumas práticas cobrem a maioria dos casos:
- Cadeirantes: terminal em altura compatível, aproximação sem degrau e tempo de abertura da porta suficiente para passar.
- Pessoas cegas ou com baixa visão: o terminal deve dar um sinal sonoro claro de que reconheceu, e a porta deve abrir sem que seja necessário ler a tela.
- Pessoas surdas: o sinal de abertura deve ser visual, e o interfone precisa de uma alternativa de texto ou vídeo.
- Mobilidade reduzida: o tempo que a fechadura fica liberada deve ser ajustado, e o botão de saída deve estar ao alcance.
A norma brasileira de acessibilidade, a NBR 9050, traz as medidas de referência, e o instalador deve conhecê-la.
Óculos, máscara, barba e outros detalhes
Os terminais atuais lidam bem com óculos de grau, mudança de corte de cabelo e barba. Óculos escuros, máscaras e bonés que cobrem parte do rosto reduzem a taxa de reconhecimento, e a orientação ao morador resolve a maior parte dos casos. Quando uma pessoa usa um item desses por necessidade, como uma máscara por motivo de saúde, o cadastro pode ser refeito com ele, ou o método reserva entra em ação.
O mesmo vale para quem passa por um tratamento que muda o rosto, como uma cirurgia ou a perda de peso rápida. A foto do cadastro deve acompanhar a pessoa, e refazê-la precisa ser simples, sem exigir uma visita técnica.
Como a Abriu cuida disso
Na Abriu, cada pessoa tem um único cadastro, que pode ter rosto, cartão, digital e senha ao mesmo tempo, conforme o que os terminais daquela porta suportam. Assim, quem tem dificuldade com um método entra pelo outro, sem um segundo cadastro. A foto pode ser tirada na hora pela câmera do celular, no próprio condomínio, e trocada quando o rosto de uma criança muda, com a alteração registrada na auditoria.
A altura, o ângulo e o tempo de abertura são decisões da instalação, feitas na visita técnica com o condomínio. Os terminais são da Hikvision, e o que cada modelo faz com sinais sonoros e visuais está na proposta, para que a escolha considere quem vai usar a porta.